As notas curtas de jornais, as pequenas notícias dão sinais claros daquilo que Resende pode vir a se tornar. Ao longo do último ano todo resendense ouviu dizer, ou leu, ou ficou sabendo de algum crime ou violência ocorridos devido ao exponencialmente crescente uso de drogas (especialmente crack) na cidade. São crianças se prostituindo por R$10 na “Grande Alegria”, assaltos no comércio e recorrentes furtos residenciais.
Tudo isso é comentado nas esquinas, entre vizinhos ou em conversas familiares, porém sempre supõem-se que são casos isolados, espasmos de truculência que raramente acontecem em uma tranquila cidade do interior como Resende.
Pois bem... lamento termos evidências suficientes para não acreditar nisso. O ano de 2010 começou dando fortes indícios do agravamento da situação (veja matéria do jornal A Voz da Cidade, ou pergunte ao seu vizinho, se você more nos arredores da Itapuca).
Ontem (11/01/2010) uma arma de calibre 32 e uma granada foram encontradas na Itapuca. Mais ainda: tal arma tinha a inscrição CV, insígnia conhecida como Comando Vermelho, grupo criminoso que atua em nosso Estado do Rio. Ou seja, o que é corriqueiro na capital e até então inédito em Resende começa a acontecer: armas de uso exclusivo do exército estão sendo usadas pelos marginais de Resende, via crime organizado. Outro detalhe importante é que os envolvidos (ao que tudo indica) são menores de idade, adolescentes e até mesmo crianças metidas em crimes sérios e brutais.
No olho do furacão, em uma calma artificial, vendo todo o resto girar, estão os setores públicos e administrativos de Resende. Não sei exatamente qual é a razão da paralisia de nossos representantes. Caso eles estejam conscientes do problema que se avoluma no horizonte, contudo não o consideram importante, tratar-se-á de omissão. Se estes senhores simplesmente não perceberam a seriedade da situação, fica evidente a incompetência. Em ambos os casos, porém, esta discussão em nada contribui para a busca de uma solução. E ela, a solução, existe.
O primeiro passo a ser dado em direção a uma solução é pensar em ação conjunta entre prefeitura, Estado (através das polícias civil e militar), iniciativa privada além da sociedade. Isso pode ser evidenciado na necessidade crítica e urgente de estabelecer um posto móvel (porém permanente) de vigilância na entrada do acesso Oeste. Esta nova entrada de Resende foi extremamente mal projetada, pois se encontra antes (no sentido SP-RJ) do posto da polícia rodoviária federal. Esta falha de projeto gerou parte do problema atual. Para evitar a polícia federal os marginais que trazem drogas e armas vindas de São Paulo descobriram que passar por dentro de Resende é mais seguro, pois evita dois postos federais de fiscalização rodoviária (caso optem por retornar à rodovia Dutra apenas em Bulhões). Deslocar-se por dentro de Resende está tão fácil que estes marginais já estão incrementando e tudo leva a crer que transformaram locais da “grande Alegria” em pontos logísticos de distribuição, estadia e armazenamento. Por isso é preciso mostrar que cruzar a cidade inteira sem encontrar um posto policial não será tão simples e fácil. Resende não pode ser um atalho para o tráfico.
O assunto Segurança Pública quase sempre é visto como um assunto exclusivamente de polícia, de repressão, de função do Estado e não da prefeitura. Esta concepção é antiga e equivocada. A segurança passa diretamente por um planejamento urbanístico e conservação dos bens e locais públicos. Manter as ruas iluminadas, sem buracos e com terrenos baldios murados e sem mato contribui muito para melhorar a segurança. O clima de anomia e a desordem promovem os pequenos delitos e crimes de venda e consumo de drogas. Ruas escuras e terrenos com matagal acobertam marginais. Buracos diminuem a velocidade de veículos em localidades consideradas menos seguras. Todas estas ações são de responsabilidade da prefeitura e ingenuamente vistas como medidas menores, sem impacto ou importância para a segurança.
Para promover a segurança do cidadão a prefeitura precisa zelar pelo bem estar da sociedade, aumentando sua qualidade de vida e promovendo um convívio social mais salutar. Por isso, é impossível falar ou pensar seriamente segurança pública sem envolver educação – educação em tempo integral, obviamente.
Qualquer estatística feita às pressas mostrará que (atualmente) os envolvidos em crimes são jovens, jovens quase sempre por nós não educados. Para que uma criança se envolva com drogas e a pequena criminalidade (porta de entrada para crimes mais violentos no futuro) é condição necessária o contato com delinquentes e tempo ocioso longe de pais, professores ou outro adulto responsável. Por isso, apenas o fato de tirarmos a criança das ruas (no período em que seus pais estão trabalhando fora de casa) e a mantermos em uma escola preparada para educar e incentivar atividades intelectuais, culturais, sociais e esportivas, já será um grande salto para a redução da criminalidade.
Outras centenas de ações podem e devem ser tomadas pela administração pública municipal visando garantir a segurança do cidadão. A grande importância da prefeitura e seu papel indispensável consistem justamente em seu poder de mobilização da sociedade e capacidade de coordenação de esforços. Se a prefeitura se omite em protagonizar e exercer esta função, a sociedade perde grande potencial de ação e solução de problemas.
Abraço,
Washington Lemos