Acabei de ler ontem pela madrugada As cem melhores crônicas brasileiras. Gostei muito deste livro e recomendo! Apesar de não ser muito fã de compêndios e coletâneas, neste caso acho que se justifica, afinal muitas crônicas não estão em livros de seus autores, tendo permanecido imutáveis e eventualmente esquecidas nas edições dos jornais e periódicos nos quais foram originalmente publicados.
Literariamente falando, minha relação com a crônica é algo novo. Sempre gostei muito mais de poemas e contos, seguidos dos romances. Sempre vi a crônica como uma forma perecível de literatura, como uma manifestação descartável do pensamento. Mas lendo as obras completas de Machado descobri que eu estava errado. Literatura, como arte, é tudo aquilo que fica e, apesar de inicialmente e por questão de vocação inerente à sua natureza toda crônica ter o “compromisso apenas com o efêmero”, muitas conseguem transcender a temporalidade e além de serem prazerosamente inteligentes, nos fazem pensar a respeito de “banalidades”, de atentar aos detalhes do cotidiano e revelar o absurdo ou o fantástico dos detalhes da vida. As crônicas fazem-se mais esplendidas por razão de como são escritas do que por aquilo sobre o que se escreve.
Viva ao prazer da leitura! Salve a poesia em prosa!
Indico fortemente a leitura do livro todo, mas se não queres ou não podes, leia ao menos estes (é satisfação garantida ou seu dinheiro de volta):
O nascimento da crônica [Machado de Assis]
Um mendigo original [João do Rio]
O inferninho e o Gervásio [Stanislaw Ponte Preta]
Grande Edgar [Luís Fernando Veríssimo]
Sobre o amor [Ferreira Gullar]
Bar ruim é lindo, bicho [Antônio Prata]
Forte Abraço, Washingtn Lemos