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Explicitando-se politicamente

25 de September de 2010 - 10:27:50

 

Vez ou outra recebo comentários que me “acusam” de “partidarismo”. Ora, o fato de ter opiniões formadas, convicções e posicionamentos assumidos não faz de mim alguém que manipule os fatos para que se adéquem às minhas idéias. Não me “avestruzo” para evitar conflitos e contradições, muito pelo contrário, busco ouvir e entender pontos de vista diferentes, seja para verificar se minhas hipóteses intelectuais continuam válidas, seja para reconstruir minhas verdades.

Por isso acredito ser sempre produtivo discutir política, visões de mundo, caminhos para se resolver nossos problemas, ou seja, é fundamental promover o embate político in natura. Assim, acho normal que assuntos relacionados às eleições e à Política (com P maiúsculo mesmo) façam-se presentes aqui neste blog. E, em nome da transparência, quero deixar minhas motivações e meus posicionamentos claros, para que meus poucos (porém queridos) leitores não se sintam em nenhum momento ludibriados.

Primeiro quanto ao meu partidarismo. A primeira coisa que alguém envolvido com política partidária ouve é que isso é coisa de gente suja. Bem, eu não acredito em partido perfeito. Assim como não acredito em uma República forte e democrática que prescinda de partidos. Pois sem partidos o que nos resta são os salvadores e os heróis, e isso é o que há de mais baixo e vulgar na política. Prefiro sempre creditar vitórias a bastante trabalho, seriedade, sacrifício. Não acredito em pessoas “iluminadas”, em “messias políticos”, em Collors, Chavezs, Getúlios. Incomoda-me quando o Presidente da República Federativa do Brasil diz que Ele fez o que nunca na história deste país foi feito. Não é o Presidente quem faz, é o País. O País se sacrifica, por meio das altas taxas de juros, para manter a inflação controlada. É o cidadão que, ao pagar mais caro por um produto importado (devido aos impostos para proteger o mercado nacional), sustenta as fábricas e gera empregos. É o contribuinte pagando impostos o grande financiador do Bolsa Família, ProUni etc. Sou eu e você, nobre leitor, quem pagamos a nossa educação, treinamentos e cursos, desenvolvendo e gerando conhecimento, estudando pelas madrugadas para que o Brasil não fique ainda mais para trás nos rankings internacionais de educação. Então é injusto, desleal, quase um mal-caratismo, um administrador público dizer que ELE é o responsável, messianicamente, pelo avanço do País (ou cidade e Estado).

Então, se nada se faz sozinho (ou menos em uma República Democrática), sem o apoio da sociedade e de outros políticos, defendo que, caso alguém deseje melhorar a vida dos outros, então entre em um partido e tente fazer mudanças primeiro ali, pois ali é o mais difícil e também o mais importante, pois, gostando ou não, é dos partidos que sairão os futuros prefeitos, senadores e o Presidente. Este é o mundo real e é nele em que devemos fazer as mudanças. Generalizar que todos os membros de um partido são corruptos ou “pilantras” é fazer o jogo anti-democrático, pois se não há representatividade social nos partidos podemos concluir que nossa democracia é uma farsa e isso justificaria atos autoritários, autocráticos e anti-democráticos (que são injustificáveis por natureza, definição e humanismo).

Sendo assim, deixo claro que sou Social-Democrata, ou seja, membro do PSDB e concordo com grande parte das políticas defendidas por este partido, não sem críticas, não sem divergências. Isso também não representa que os demais partidos sejam inimigos. Nutro afinidades intelectuais por outros partidos e tenho grandes amigos militantes do PV e PPS, além de gostar muito de alguns outros políticos de tantos outros partidos, e, além disso, devoto muita atenção ao PT, partido que abriu suas portas para mim quando eu era adolescente e do qual me afastei após os escândalos de 2005 e por divergir em pontos fundamentais.

Aguentar o dia-a-dia de um partido político não é para qualquer um, fazer isso se mantendo firme àquilo que considera ético e correto, contornando as guerras de vaidades e sem perder de foco o objetivo maior e final que lhe levou até ali (espero que seja melhorar a vida da sociedade!) é para raríssimas pessoas. Faça isso em seu partido e já estará contribuindo enormemente para uma sociedade melhor, mais justa e que proporcione uma vida melhor a todos, sempre garantindo a democracia, os valores republicanos e, acima de tudo, a liberdade.

 

Forte abraço,

Washington Lemos

 

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