Pensar incomoda como andar na chuva.
(Fernando Pessoa)
Houve um tempo em que uma prefeitura poderia simplesmente planejar e construir uma passarela em qualquer lugar da cidade e chamar a sociedade apenas para a inauguração. Mas este tempo acabou.
Postar, compartilhar, curtir, criticar, opinar... tudo tão simples, tão rápido e fácil. Em poucos toques qualquer pessoa pode se manifestar, mostrar seu ponto de vista e se fazer ouvir (ou ser lido!) por cidadãos, colegas, administradores públicos, imprensa e formadores de opinião.
Os grupos de discussão sobre Resende na web se multiplicam, se somam e se balanceiam obedecendo à dinâmica das redes, baseada no pluralismo e na liberdade. Considerando apenas um destes grupos, são mais de 500 pessoas debatendo a cidade, fazendo propostas, críticas e sugestões (mais do que muitos sindicatos ditos sérios e grandes!).
Mas a vida inteligente na internet vai muito além dos grupos e nas próprias timelines do Facebook e twitter o que não faltam são opiniões e impressões sobre a cidade, seus problemas e seus rumos. Todas as pessoas, mesmo aquelas que tem convicção de que não gostam de política, estão assumindo um papel de proatividade (consciente ou não) política surpreendente!
Difícil não se empolgar, e mais... difícil é não perceber que a dinâmica política-administrativa do grupo que administra a cidade ou vai acompanhar a mudança da sociedade ou ser mudado pela mudança!
A forma de fazer política (no bom sentido, atentem!) pública e administrar uma cidade não pode mais ser visto como uma função solitária, que é delegada nas eleições e cuja prestação de conta deve ser feita apenas de 4 em 4 anos. A nova dinâmica exige a constante, diária e quase instantânea prestação de contas à sociedade, explicando aquilo que está sendo feito, o que será feito e principalmente o que não está sendo feito!
A tarefa é árdua para os administradores, acostumados ao silêncio dos escritórios e à disponibilidade para negociação dos partidos, sindicados, associações de bairros e outras estruturas do século passado. O cidadão que se manifesta na internet está quase sempre preocupado apenas com sua demanda do dia-a-dia, com seu bem estar e qualidade de vida. E por isso, estes grupos têm mais legitimidade do que as demais formas de organização da sociedade (como partidos ou sindicados), pois são vivos e incapazes de serem cooptados pelo poder por meio de cargos e benefícios às lideranças.
Quem quer que deseje administrar legitimamente nestes novos tempos deve privilegiar obsessivamente a transparência da informação, saber aceitar críticas e dialogar com a sociedade de modo livre, sem interlocutores. Disponibilizar dados e compartilhar estudos feitos pela administração pública são requisitos necessários para que um prefeito seja considerado bom neste novo começo de século. O século 21 já chegou e quem não perceber vai ficar falando sozinho (e perder muitas eleições).
ah! Sobre a plataforma projeta aqui embaixo pode ver muitas opiniões (a favir e contra) no facebook
