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Eis o século 21 - um alcoviteiro da democracia com o cidadão

12 de February de 2012 - 16:20:01

Pobres administradores públicos, prefeitos e vereadores... os escritórios submersos em papéis, o ar condicionado e os sempre zelosos secretários e assessores já não conseguem protegê-los do cidadão comum.

O século 21, este subvertedor da ordem e dos velhos costumes, parece não respeitar as “autoridades constituídas” e atreveu-se a conceder a qualquer cidadão o desejo de querer saber o que está sendo feito nos escafandrados gabinetes da cidade. E mais que isso, a cada momento novas ferramentas e métodos mais fáceis e ágeis, são criados permitindo a qualquer pagador de impostos saber o que está sendo feito com seu dinheiro e quem está sendo proativo ou omisso em suas atribuições públicas.

Não bastassem as páginas da internet como o da ONG Transparência Brasil, vieram blogs repletos de opiniões e com uma liberdade nunca antes desfrutada por jornais locais da cidade, depois se seguiram as redes sociais e agora tem até lei obrigando que toda e qualquer informação esteja disponível aos cidadãos, sem necessidade de justificativas ou advogados. É o começo do fim dos velhos coronéis da política, que criavam dificuldades burocráticas para vender as facilidades na forma de favores ou trocas de votos.

As notas curtas nos jornais, as explicações vazias, a prestação de conta de quatro em quatro anos já não bastam. É preciso dar informação on line, em tempo real. E não para por aí. Quando o cidadão sai da zona de conforto, seja dando likes no Facebook ou organizando passeata pelo twitter, ele começa a pensar que sua participação pode ir além do fato de escolher um sorriso nas urnas a cada eleição. Ele, o cidadão, quer que suas opiniões sejam ouvidas quando há um projeto relevante para sua cidade ou quando a prefeitura assume um compromisso. Afinal, se organizados em redes, a mobilização dos “cibercidadãos” envolve centenas, ou milhares de pessoas. Ora, isso é mais que qualquer associação de moradores, sindicatos de trabalhadores ou partidos políticos conseguem reunir.

Esta nova forma de fazer política faz simultaneamente duas coisas antagônicas. Ao mesmo tempo em que fortalece a política representativa dando ao eleitor cidadão acesso detalhado à vida e propostas dos candidatos e políticos, ela também torna a democracia cada vem mais direta, permitindo às pessoas manifestarem-se livremente sem intermediários entre elas e o poder público.

O futuro já chegou. É questão de tempo para que todos os custos, ações, intenções do governo estejam na internet, para serem consultados e criticados a qualquer instante, seja a agenda do prefeito, os patrocinadores da campanha, com quem e onde o prefeito e vereadores andam, quais são as propostas que estão paradas em suas gavetas e quais as que estão sendo discutidas silenciosamente. Cada vez mais, cada cidadão será um auditor em potencial do poder público. Quem não entender isso vai ser colocado para fora do jogo político ou “ser pego com a boca na botija”.

O futuro já chegou, só falta fazermos o passado sair da sala.'

Abraços

Washington Lemos

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